Dorival Júnior não é mais técnico da seleção brasileira. Após um ano e 16 jogos no cargo, o treinador foi demitido nesta sexta-feira pelo presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, em reunião na sede da entidade, no Rio de Janeiro. Os auxiliares Lucas Silvestre e Pedro Sotero e o preparador físico Celso Resende também estão fora.
Jorge Jesus é o favorito a assumir a vaga deixada por Dorival Júnior, segundo o Globo Esporte. Carlo Ancelotti foi o preferido num primeiro momento, mas a disponibilidade de assumir a Seleção antes do Mundial de Clubes, previsto para acontecer entre junho e julho, faz diferença.
Ednaldo fez um pronunciamento à imprensa, sem responder a perguntas, na sede da CBF, que também anunciou a saída do treinador em nota publicada em seu site:
“A Confederação Brasileira de Futebol informa que o técnico Dorival Júnior não comanda mais a Seleção Brasileira. A direção agradece ao profissional e deseja sucesso na continuidade de sua carreira. A partir de agora, a CBF vai trabalhar em busca do substituto”.
O diretor de seleções, Rodrigo Caetano, o coordenador técnico Juan e o gerente de seleções, Cícero Souza, continuam em seus cargos na CBF.
Em seu pronunciamento, Ednaldo Rodrigues, disse que a busca por um substituto foi iniciada somente nesta sexta-feira.
– Na terça-feira, eu disse a vocês depois do jogo que falaria no dia seguinte. Falamos e nos reunimos com Dorival Júnior e Rodrigo Caetano, e a CBF anuncia neste momento que encerrou o ciclo do Dorival Júnior. A gente agradece muito pelo trabalho que ele desempenhou na Seleção e deseja para ele todo sucesso em sua carreira.
– Agora vamos trabalhar na busca de um substituto. Aquilo que era colocado que tinha contato com A, com B, com C, isso em momento algum passou nem pelo presidente, e nem por alguém que o presidente tenha determinado. A partir de agora sim que vamos buscar um substituto para dar continuidade ao trabalho da seleção brasileira.
As más atuações e resultados já pressionavam Dorival desde o ano passado, mas a situação se agravou após a goleada sofrida pelo Brasil por 4 a 1 para a Argentina, na terça-feira.
Com a demissão, a Seleção vai para o quarto treinador neste ciclo de Copa do Mundo. Após a saída de Tite, o Brasil teve Ramon Menezes e Fernando Diniz interinamente em 2023 antes da contratação de Dorival, em janeiro de 2024.
Os próximos compromissos da Seleção serão em junho, quando enfrenta Equador e Paraguai pelas Eliminatórias.
Em 16 jogos sob o comando de Dorival, a Seleção obteve sete vitórias, sete empates e duas derrotas, aproveitamento de 58,3% dos pontos, com 25 gols marcados e 17 sofridos.

Jorge Jesus pode fechar
O português Jorge Jesus, do Al-Hilal, é o favorito para assumir o comando da seleção brasileira. Com a demissão imediata de Dorival Júnior, anunciada nesta sexta-feira pelo presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, a entidade avança para um acerto com o português.
O italiano Carlo Ancelotti, do Real Madrid, era o favorito de Ednaldo para ocupar a vaga, mas ele não sairá do clube espanhol antes do fim do Mundial de Clubes, em julho. E a CBF tem pressa para anunciar um treinador que comande a Seleção nos jogos contra Equador e Paraguai, no início de junho, pelas eliminatórias.
Já houve contatos entre CBF e Jorge Jesus, com as conversas caminhando bem entre as duas partes. O único pedido do treinador é ficar no Al-Hilal até o fim da Champions League da Ásia, no dia 3 de maio. Por isso, existe a tendência de que não haja anúncio da contratação nas próximas semanas.
As conversas com o Al-Hilal ainda não começaram. Tanto os dirigentes da CBF quanto Jorge Jesus desejam uma saída pacífica do treinador do clube, sem entrar em rota de colisão. O português tem a preocupação de não fechar seu mercado no país do Oriente Médio.
Jorge Jesus, de 70 anos, trabalhou uma vez no Brasil. Ele comandou o Flamengo entre junho de 2019 e julho de 2020. Sob o comando do treinador, a equipe carioca conquistou cinco títulos: Libertadores de 2019, Brasileiro de 2019, Recopa Sul-Americana de 2020, Supercopa do Brasil de 2020 e Carioca de 2020. Foram 43 vitórias, 10 empates e quatro derrotas em 57 jogos.
Em setembro do ano passado, em entrevista ao site português MaisFutebol, Jorge Jesus confirmou seu desejo de comandar a seleção brasileira.
— Só gosto de trabalhar em clubes que ganhem títulos. Eu nunca fui para a Inglaterra treinar porque não tive esse convite. A seleção brasileira é diferente. É uma ambição, não nego — disse o técnico na ocasião.
E a relação com Neymar?
Em janeiro deste ano, o principal nome da Seleção na última década, Neymar, deixou o Al-Hilal insatisfeito com Jorge Jesus. Mas a relação entre jogador e treinador não é um tema citado nas conversas com a CBF até o momento.
— Obviamente que fiquei muito chateado com as palavras do Jorge Jesus quando ele falou que eu não estava nas mesmas condições da equipe — disse Neymar em fevereiro.
Em caso de acerto com a CBF, o português pretende fazer movimentos na direção de Neymar para aparar arestas e melhorar a relação. (GE)