China, Índia e outros países populosos da Ásia, estão passando atualmente por um crescimento considerável do seu PIB.

 

Isto significa inserir anualmente no mercado consumidor dezenas de milhões de pessoas, que passarão a comer (e desperdiçar) alimentos.

 

Se já estamos vivenciando mundialmente um aumento acentuado nos preços das commodities agrícolas e carnes em função de pequenos problemas climáticos, fica claro que a produção atual de comida no mundo, está praticamente em equilíbrio com o consumo.

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O mercado já está sinalizando novos aumentos de preços e novamente evidenciando que nossos estoques estão no limite. Se ocorrer qualquer acidente climático na safra americana, poderemos nos preparar para más notícias.

Esta condição acima descrita, sugere uma inevitável pergunta: desmatamos o planeta além da necessidade da produção de alimentos? Até o momento, em função da análise das realidades atuais, parece que foi necessário.

 

E daqui pra frente? Teremos que desmatar outras áreas para suprir as novas demandas do aumento populacional e do aumento do PIB desses países superpopulosos?

Entidades internacionais estão prevendo que a população mundial irá se estabilizar próximo dos dez bilhões de habitantes.

 

Somando-se a isso a inserção de três a quatro bilhões de pessoas no processo consumidor pelo aumento da renda, teremos que produzir nas próximas décadas, no mínimo o dobro dos alimentos produzidos hoje.

 

Os desmatamentos ocorridos recentemente, na Amazônia, não representam nada na produção mundial de alimentos.

 

O mais razoável para o país, seria ceder às pressões ambientais e resolver este problema que tanto depõe contra a nossa nação. Um confronto não seria vantajoso nem para o Brasil e muito menos paro o agro, que poderá sofrer sanções comerciais.

 

A tecnologia em geral evoluiu muito nos últimos anos e não foi diferente para o setor produtivo do agro. Não acredito que haverá necessidade de novos desmatamentos para suprir as novas demandas alimentares.

 

Recentes pesquisas estão promovendo aumentos de produtividade consideráveis para todas as culturas e criações.

 

Para a soja já existe até um slogan: “Soja rumo aos 100 scs/ha”. Esta deverá ser a produtividade média da soja até o final desta década.

 

Hoje nenhuma tecnologia de aumento de produtividade será implementada se não promover simultaneamente melhorias ao meio ambiente.

 

Além dos avanços em produtividade, ainda serão adicionados milhões de hectares à agricultura sem necessitar nenhum desmatamento. Recentes inovações tecnológicas promoverão ganhos de produtividade nas pastagens, que cederão, sem prejuízo da pecuária, áreas para a agricultura.

 

Até o momento houve apenas um equilíbrio, bastante instável, em termos mundiais, entre produção e consumo de alimentos. A conclusão lógica é que o desflorestamento promovido até agora no planeta para produzir alimentos e os sistemas atuais de produção, foram fundamentais para apenas suprir, no limite, a segurança alimentar da humanidade.

 

Portanto, antes de criticar que houve excessos no desmatamento planetário, uso abusivo de agrotóxicos, transgenia e adubação química, que são fatores de produção e produtividade e muito criticados por ambientalistas ou ideologias de esquerda, seria bom lembrar que, mesmo assim, estamos no limite da segurança alimentar planetária e com grande risco para a paz mundial.

*ARNO SCHNEIDER  é engenheiro agrônomo e pecuarista em Mato  Grosso

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