Em visita à Terra Indígena Capoto-Jarina, no município de Peixoto de Azevedo (691 km ao norte de Cuiabá), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que os povos originários têm o direito a reivindicar todo o território que for necessário para manter a cultura e a existência das etnias. Visita faz parte de agenda oficial cumprida, em Mato Grosso,  nesta sexta-feira (4).

A declaração foi dada durante encontro com o cacique Raoni, da aldeia Piaraçu, e outras lideranças indígenas do Xingu. “Um dia os indígenas tinham 100% do território nacional e, portanto, vocês têm direito de lutar, de reivindicar e de conquistar quantas terras forem necessárias para manter o povo indígena, a cultura e a tradição”, afirmou Lula, em uma das falas mais marcantes da cerimônia.

O presidente chegou à região acompanhado de uma comitiva composta por diversas autoridades. Entre elas, a primeira-dama Janja Lula da Silva; o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD), e a diretora Administrativa, Financeira e de Fiscalização da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Rosa Neide (PT).

Na cerimônia, Raoni cobrou o chefe do Planalto para não autorizar a exploração do petróleo na foz do Amazonas e pediu que o presidente faça uma nova limpeza nos limites da terra indígena para garantir um “limite físico” para proteger os povos.

Em resposta, Lula fez questão de enaltecer a importância simbólica e histórica do encontro com o cacique Raoni, reconhecido internacionalmente por sua luta em defesa dos povos indígenas e da Amazônia.

“Eu já viajei muito o mundo. Já encontrei com vários presidentes e pessoas importantes do planeta. Encontrei com todos os reis e rainhas que existem na face da terra. No entanto, nenhuma dessas pessoas é mais importante do que essa visita que eu estou fazendo aos povos indígenas do Xingu”, declarou o chefe do Poder Executivo.

“Não existe nenhum homem ou rei nesse mundo que seja mais representativo do que o nosso cacique Raoni”, acrescentou o presidente.

Em um tom emotivo, Lula descreveu Raoni como “um homem ao mesmo tempo, simples, luminoso e amoroso”, destacando seu papel como símbolo de paz e sabedoria ancestral. “Raoni inspira a paz, sabedoria ancestral e profundo conhecimento sobre as necessidades da terra e a relação do homem com a natureza. Chego até aqui para beber dessa fonte e aprender com ele”, completou.

Lula também ressaltou as ações do governo federal em prol da proteção dos povos indígenas e da preservação ambiental, destacando o papel fundamental das comunidades originárias no combate ao desmatamento e às mudanças climáticas.
“Somos um governo que respeita os povos indígenas e que trabalhamos noite e dia para que seus direitos sejam assegurados. Reconhecemos o papel indispensável dos povos indígenas para a preservação da floresta e para o enfrentamento da mudança do clima”, disse.

O presidente reiterou que garantir os direitos indígenas é uma “prioridade absoluta” de sua gestão, mencionando políticas de demarcação e homologação de terras, retirada de não indígenas de áreas protegidas e o combate ao crime organizado na Amazônia.

Além disso, destacou a presença histórica de indígenas nos espaços de poder em seu governo. “É a primeira vez que temos uma indígena dirigindo um ministério, dirigindo a Funai e a saúde do povo indígena”, pontuou.

Ao fim do discurso, Lula reafirmou o compromisso de seu governo com a preservação ambiental e a valorização dos povos originários como protagonistas da história e da proteção do Brasil. Em seguida as autoridades seguiram para o almoço.

Visita do Presidente Lula da Silva para o cacique Raoni Metuktire, na Aldeia Piaraçu – Terra Indígena Capoto/Jarina – MT (Foto: Ricardo Stuckert / PR)