Mais um caso de violência doméstica ganhou destaque no último final de semana nas redes sociais. Por se tratar de um DJ famoso, a notícia expôs novamente que o agressor também é o ídolo de muitas pessoas. A vítima, por outro lado é mais uma mulher comum que acaba sendo agredida pelo companheiro.

Pamella Holanda, de 27 anos, mãe da pequena Mel de apenas 9 meses, foi agredida pelo pai de sua filha, Iverson de Souza Araújo, o DJ Ivis. No último domingo (11), vários vídeos mostrando as agressões sofridas dentro da própria casa do casal repercutiram na web, reacendendo o debate sobre a violência doméstica. Imagens do DJ agredindo Pamella na frente da filha de apenas nove meses mostram socos, puxões de cabelo, empurrões e tapas. Tudo gravado por câmeras de segurança.

A mulher relatou que foi agredida também quando estava grávida e disse que Ivis é extremamente explosivo e agressivo, um perfil oposto ao que ele demonstra nas redes sociais. “Um cara sem paciência com nada e explode com tudo. Ele não é nada do que mostra e aparenta nas redes sociais”, disse.

Pamella foi até a delegacia no último dia 1º de julho, mas antes de prestar depoimento e realizar corpo delito acabou deixando a delegacia, com medo de represálias, caso o ex-marido fosse preso. O medo de Pamella é o mesmo vivido por outras milhares de mulheres vítimas de violência doméstica.

O medo e a vergonha da exposição levam muitas mulheres a não buscar ajuda quando são vítimas de qualquer situação de violência. A maior parte das vítimas de feminicídios ocorridos em Mato Grosso no ano passado não tinham solicitado medida protetiva, mecanismo previsto na lei 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), que determina o afastamento do agressor, tanto do local de trabalho quanto da residência da vítima.

Segundo a Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), em 2020, mais de 13 milhões de mulheres brasileiras foram violentadas por parentes, companheiros ou ex-companheiros íntimos. Isso significa que a cada minuto, uma mulher foi violentada dentro da própria casa.

O relato das vítimas evidencia que a violência doméstica ainda é naturalizada e minimizada, principalmente pela família. A ofensa verbal, violência sexual e até mesmo as agressões físicas são, em sua maioria, encaradas como parte do relacionamento íntimo do casal. Mas é preciso mudar isso, para evitar que outras mulheres acabem agredidas até a morte por pessoas próximas e que deveriam cuidar e protege-las.