Cuiabá - MT | Sábado, 23 de Outubro de 2021

Recuperado, infectologista David Uip fala sobre Covid-19: “extremo sofrimento”

Recuperado, infectologista David Uip fala sobre Covid-19: “extremo sofrimento”


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Rprodução/Governo do Estado de Sâo Paulo

David Uip em coletiva de imprensa sobre coronavírus em São Paulo

O médico infectologista David Uip, que coordena o centro de contingência do coronavírus em São Paulo, retornou nesta segunda-feira ao trabalho ao lado da secretaria de saúde do estado. Desde o dia 22 de março, o médico seguia em isolamento domicxiliar após o diagnóstico de Covid-19 . Aos 67 anos, Uip descreve a doença como um período de “extremo sofrimento”. 

“Eu quero fazer um depoimento para que vocês entendam bem do que se trata desta doença. Eu, há dois domingos, me senti muito mal. O pessoal da televisão quis me entrevistar e eu não consegui falar”, recorda o especialista, uma das autoridades sobre o coronavírus no Brasil. 

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Após o resultado positivo para a doença, Uip relembra que uma das muitas dificuldades que enfrentou foi o fato de ter completa ciência da gravidade da doença. “Este sentimento de você se ver, como médico, infectologista, com uma pneumonia, sabendo que muito provavelmente entre o sétimo e o décimo dia vai complicar, foi um sentimento muito angustiante. Você dormir não sabendo como vai acordar”, conta. 

O médico ainda mencionou as dificuldades de manter-se em isolamento, mas destaca a importância da medida social como uma preocupação consigo mesmo e com os demais. “Quero dizer para vocês que não é fácil ficar isolado . É de extremo sofrimento, mas absolutamente fundamental. Eu tive que me reinventar, tive que criar um David novo. Seguramente mais humilde e sabendo os limites da vida”, disse. 

Em seu relato, Uip ainda afirmou que “àqueles que estão achando que não é nada ou que é pouco, eu desejo ardentemente que não adoençam. È um sofrimento muito grande”.

Ao fim do discurso, o médico informou que, a partir de agora, irá conciliar o trabalho como pesquisador e porta-voz do centro de contingência como o exercício da medicina clínica, ajudando pacientes contra a doença que enfrentou e venceu.