Cuiabá - MT | Sábado, 16 de Outubro de 2021

Adiamento faz com que as Olimpíadas de Tóquio sejam as mais imprevisíveis em 36 anos

Adiamento faz com que as Olimpíadas de Tóquio sejam as mais imprevisíveis em 36 anos

Foto: AFP

Faltam 480 dias para a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, agora oficialmente marcados para o dia 23 de julho do ano que vem. Parece muito tempo, mas a verdade é que os atletas vão ter que fazer um planejamento perfeito para a periodização de treinos em apenas 16 meses e chegar no pico de rendimento na Olimpíada.

Eu, aqui no blog, costumo fazer uma previsão de medalhas em cada uma das provas nas Olimpíadas. E, com esse adiamento e a falta de Campeonatos Mundiais para usar como parâmetro, será a edição olímpica mais imprevisível desde os boicotes de Moscou 1980 e Los Angeles 1984. Na época, boa parte das estrelas abriu mão dos Jogos por questões políticas, o que deu um nó em qualquer prognóstico.

As estrelas do esporte ainda não têm no horizonte uma data para voltarem a treinar, já que os principais centros do mundo estão fechados por conta da pandemia do novo coronavírus. O planejamento já costuma ser muito importante na preparação. Mas agora será ainda mais essencial. As equipes técnicas terão que acertar o que fazer em 2020 (esquecer o ano ou fazer um trabalho intenso mesmo sem uma grande competição?), ajustar a preparação para 2021 e chegar ao pico no mês de julho.

É bem possível que os grandes atletas cheguem aos Jogos Olímpicos sem terem feito uma grande competição desde o meio de 2019. A maioria das modalidades teve seus Campeonatos Mundiais entre julho e outubro do ano passado, ou seja, mais de vinte meses antes da Olimpíada, agora marcada para julho 2021. Isso é ruim para eles, que vão ficar sem a adrenalina e o ritmo de grandes eventos por muito tempo.

Simone Biles conquista cinco ouros no Mundial de Stuttgart — Foto: Reprodução/Twitter

Simone Biles conquista cinco ouros no Mundial de Stuttgart — Foto: Reprodução/Twitter

O calendário dos Campeonatos Mundiais ainda não está definido, mas há possibilidade de algumas modalidades trazerem as competições que seriam no segundo semestre do ano que vem, para o fim deste ano, ou mesmo para o início de 2021. Seria um evento grande para os atletas antes dos Jogos, mas se forem colados com a data das Olimpíadas terão uma importância mínima. O Mundial de atletismo foi adiado para 2022, fazendo com que a modalidade fique sem grandes competições entre 2019 e as Olimpíadas.

Teddy Riner  — Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte

Teddy Riner — Foto: Abelardo Mendes Jr/ rededoesporte

Há, claro, o aspecto emocional para os atletas, que esperam por quatro anos para atingir o ápice do desempenho, e vão ter que prolongar esse apogeu em mais uma temporada.

E, consequentemente, o ciclo de Paris 2024 já está prejudicado. Isso porque, alguns atletas usam o ano pós-olímpico para descanso ou realizar alguns objetivos pessoas (como ser mãe, por exemplo), e aí focam na preparação para as Olimpíadas por três temporadas. Com a diminuição do próximo ciclo, já que os Jogos continuam marcados para 2024, é provável que a renovação dos atletas fique totalmente prejudicada.

Parece que não, mas a mudança das Olimpíadas para 2021 altera todo o calendário de preparação dos atletas até os Jogos de Paris 2024. (Guilherme Costa/Globo Esporte)