Cuiabá - MT | Segunda-Feira, 20 de Setembro de 2021

Até 2100, o mundo vai precisar de quase duas vezes mais alimentos

Até 2100, o mundo vai precisar de quase duas vezes mais alimentos

No final deste século, haverá quase 11 mil bilhões de pessoas no planeta – hoje, são “apenas” 7,8 bilhões. O crescimento da população obrigará, naturalmente, a uma subida na produção de alimentos.

Todavia, um grupo de investigadores alemães juntou aos cálculos a evolução do Índice de Massa Corporal (IMC). Resultado: vamos precisar de produzir mais 80% de calorias.

O estudo, publicado na revista científica PLOS One, estima que 60% do incremento se deverá ao simples aumento da população. Contudo, o crescimento literal dos humanos – em altura e peso – levará a que cada pessoa “do futuro” tenha de consumir, em média, mais 253 kcal por dia do que uma atual.

No total, 18% das necessidades calóricas extra da população mundial dever-se-á a este facto. “Numa escala global, calculamos que o efeito do IMC e o aumento da altura média, no nosso modelo, conduzirá a necessidades calóricas equivalentes às populações em 2010 da Índia e da Nigéria [mais de 1,5 bilhões de pessoas]”, disse  Lutz Depenbusch, coautor do estudo, para a BBC, de Londres.

As 253 kcal diárias não são uma grande quantidade. É o mesmo do que duas bananas grandes ou uma dose de batatas fritas, diz Depenbusch.

O problema é que, além de ter de se somar o aumento da população, as regiões que mais sentirão carências são precisamente aquelas que hoje já passam por maiores dificuldades de alimentação – a África subsariana.

Ou seja, se atualmente já é tão difícil suprir a escassez, no final do século será bem pior. E ainda teremos de levar em conta um clima mais agressivo e imprevisível, devido às alterações climáticas, com secas e cheias mais frequentes e destrutivas a arrasar a produção agrícola do Continente Negro.

Os investigadores, aliás, alertaram que a ausência de políticas para garantir o acesso de todos à alimentação levará a maior desigualdade económica e social. Os preços dos alimentos irão subir, dizem, pelo que apenas os países mais ricos terão capacidade para satisfazer as necessidades calóricas das suas populações, ao passo que os mais pobres terão ainda mais problemas de subnutrição.