Cuiabá - MT | Domingo, 13 de Junho de 2021

Outro caminho para o Brasil

Outro caminho para o Brasil

Senador mato-grossense Wellington Fagundes (PL) destaca necessidade de flexibilizar portaria que impede criação de novos cursos pelo período de cinco anos

No dia 1º participei, em Brasília, na qualidade de expositor, do encontro sobre “Navegação de Cabotagem – Como o Brasil Vai Desenvolver a ‘BR do Mar”, com a presença de inúmeras autoridades e operadores do setor.

O debate sobre esse tipo de transporte, que se realiza entre os portos do país e pela costa brasileira, ocorre em um momento muito propício, agora que o Brasil aguarda a publicação, pelo Poder Executivo, de Medida Provisória que remova os atuais entraves ao desenvolvimento de setor.

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Os benefícios econômicos e sociais da navegação de cabotagem são expressivos. Ela é menos poluente, já que um navio emite quatro vezes menos carbono por tonelada transportada do que um caminhão. Também diminui o congestionamento nas estradas: uma única embarcação de 6 mil toneladas transporta a mesma carga que 172 carretas de 35 toneladas.

Hoje em dia, as rodovias concentram 63% do escoamento da produção, enquanto o modal aquaviário movimenta apenas 13%, aí incluídos os segmentos hidroviário e de cabotagem. Para efeitos de comparação, na China, mais da metade de toda a produção é escoada pelo modal aquaviário.

Estima-se que a navegação por cabotagem pode ser até 30% mais barata que o transporte rodoviário. Na prática, o uso dessa modalidade de transporte significa oferecer itens mais baratos para os clientes, aumentar a competitividade e a lucratividade — melhorando o posicionamento de mercado.

Vale destacar que o Brasil foi premiado pela natureza e pela História com um litoral que se estende por quase 8 mil quilômetros — ou 10 mil, se acrescentarmos o trecho até Manaus – nossa Amazônia Azul.

Outra vantagem adicional do estímulo à navegação como modal de transporte pode ser medida no que classificamos como “grave situação”, que são os roubos e furtos de cargas na estrada. Os níveis alarmantes tem feito com que as empresas busquem alternativas para o transporte ou invistam mais sem segurança, aumentando os custos operacionais (que são repassados a nós, consumidores).

Por isso, o estímulo ao uso do modal hidroviário – incluindo a cabotagem, se faz necessário. Não se trata, obviamente, de privilegiar este ou aquele modal, mas de ajudá-los a se complementar de maneira mais eficiente, permitindo ao Brasil — repito — uma logística mais equilibrada. E, por consequência, redução de custos, que deve refletir diretamente na vida da população consumidora.

Para tanto, se faz necessário ultrapassar o empecilho da falta de investimento — tanto do Governo, quanto das empresas que ainda não exploram essa opção. E isso se dará com regras claras e segurança jurídica, a partir de um diálogo produtivo entre o mercado, o Congresso, o Poder Executivo, as agências reguladoras e os órgãos de fiscalização e controle para desatar os nós burocráticos, prestigiar o empreendedorismo e, assim, turbinar a criação de mais e melhores empregos para os trabalhadores do Brasil.

*WELLINGTON ANTÔNIO FAGUNDES é senador da República por Mato Grosso e presidente da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura

CONTATO:  www.facebook.com/wellington.fagundes.mt/