Cuiabá - MT | Domingo, 19 de Setembro de 2021

Partido Novo de MT reprova bancada de MT em votação das novas regras para uso do fundo partidário

Partido Novo de MT reprova bancada de MT em votação das novas regras para uso do fundo partidário

“É um completo absurdo”, assim avaliou o presidente do diretório do Partido NOVO de Mato Grosso, Anderson Iglesias a aprovação da proposta que traz novas regras para aplicação e fiscalização do Fundo Partidário, pela Câmara Federal, na noite desta terça-feira (03.09). As mudanças incluem a permissão para que os partidos paguem advogados com verbas do fundo.

A proposta, de autoria de diversos deputados, aprovada por 263 a 144 votos, prevê mudanças na Lei Eleitoral (Lei 9.504/97) e na Lei dos Partidos (Lei 9.096/95). A medida do Congresso causou revolta de membros do Partido Novo, em Mato Grosso.

Anderson criticou duramente o dispositivo, mas comemorou o pedido da bancada da sigla em manter o direito de partidos de não utilizar o Fundo.

“O Novo é contra usar dinheiro público para financiar partidos. Lutamos para conscientizar a população de que esse dinheiro deveria estar no bolso do cidadão ou pelo menos direcionado para saúde, segurança e educação e não que seja usado para financiar partidos”, criticou.

Representantes de Mato Grosso, os deputados federais Leonardo Albuquerque (SD), Emanuelzinho (PTB), Juarez Costa (MDB) e Rosa Neide (PT) votaram a favor. Já Carlos Bezerra (MDB), Neri Geller (PP), José Medeiros (Pode) e Nelson Barbudo (PSL) estavam ausentes. Junior Macagnam, filiado ao NOVO repreendeu a atitude da bancada.

“Infelizmente os deputados federais de Mato Grosso tiveram um comportamento lamentável. Dos oito representantes eleitos pelo nosso povo, quatro foram a favor e os outros quatro se quer participaram da votação. Em momentos de cortes na educação, quando mais precisamos dos nossos representantes, eles se omitem ou prejudicam ainda mais o brasileiro”, destacou.

A proposta, em tese, também autoriza que partidos paguem advogados para defender políticos envolvidos em crimes eleitorais com a verba do fundo.

“Como se a simples existência do fundo eleitoral não fosse imoral o suficiente, agora, além disso, o projeto prevê que os recursos do fundo eleitoral possam ser gastos com advogados em defesa de candidatos, eleitos ou não e dos partidos. É uma aberração, colocar dinheiro público em defesa de políticos criminosos”, defendeu Edegar Belz, membro do partido NOVO em Cuiabá.

Para Álvaro de Carvalho, também filiado ao NOVO de Cuiabá, a proposta é mais um exemplo do poder da velha política, aprovada na base do troca-troca, em um círculo vicioso, que faz parte de um sistema velho, que funciona única e exclusivamente para a perpetuação do poder na mão de políticos mal intencionados, sustentados infelizmente pelos impostos pagos do povo honesto e trabalhador.

“Esse projeto, em minha opinião, é a institucionalização do roubo partidário, algo que já acontecia via caixa dois, que também era pago com dinheiro público, mas que era considerado crime, e agora deixa de ser. Acredito que a população não esteja de acordo com essa proposta, e isso reforça e comprava a ausência de sinergia entre a vontade popular e atitude de seus representantes no legislativo, é a mais pura e falsa democracia”, advertiu o membro do NOVO, Álvaro de  Carvalho.