Cuiabá - MT | Quarta-Feira, 28 de Julho de 2021

Após bronze no Pan, judoca cuiabano fica sem medalha no Mundial do Japão

Após bronze no Pan, judoca cuiabano fica sem medalha no Mundial do Japão

David Moura no Mundial de Judô de Tóquio — Foto: Roberto Castro/ rededoesporte.gov.br

Terceiro nos Jogos Pan-Americanos de Lima e prata no Mundial de Budapeste 2017, o judoca cuiabano David Moura não repetiu suas boas atuações e ficou sem medalha em sua categoria (+pesado) no Campeonato Mundial de Judô que acontece em Tóquio, no Japão. Após derrota para um sul-coreano nas quartas de final, ele foi vencido por pelo freguês Roy Meyer, da Holanda, na repescagem.

Integrando a delegação brasileira que buscava medalhas na competição, Moura teve, na fase classificatória, Rakan Zaidan, da Arábia Saudita, e Vito Dragic, da Eslovênia, tendo facilidade na primeira e dificuldade na segunda luta, até chegar nas quartas de final contra Minjong Kim, da Coreia do Sul. Moura foi derrotado pelo sul-coreano no fim da luta, depois de começar bem melhor no confronto e foi para a repescagem.

Na repescagem, o rival foi o holandês Roy Meyer. Nesse embate, o europeu acabou levando a melhor na imobilização e tirou as chances de pódio do brasileiro, que terminou a competição em sétimo lugar e lamentou a derrota:

Ao final da luta, o judoca cuiabano lamentou muito: “É até difícil falar. O Meyer é um cara que eu nunca tinha perdido. Errei e paguei o preço. Tem dia que a gente ganha, tem dia que a gente perde. Eu acho que sempre tem o que melhorar, evoluir, eu não esperava perder no chão assim mais, meu braço ficou preso, tive que rodar. Mas é digerir os erros para as próximas. Quando perco eu tenho perdido por golpe baixo. Tenho que melhorar isso”.

O atleta da Holanda que venceu David Moura terminou com o bronze. O ouro entre os pesos-pesados foi para Lukas Krpalek, campeão olímpico e mundial do -100kg que subiu de peso, e bateu Hisayoshi Harasawa, do Japão, na final.

BRASIL NO MUNDIAL

David Moura não foi o único a começar bem e terminar mal na competição. O Brasil entrou no último dia de disputas individuais no Japão, empolgado e com quatro atletas com chances de medalha na categoria dos pesados: David Moura e Rafael Silva, números 3 e 5 do ranking mundial do +100kg, e Maria Suelen Altheman e Beatriz Souza, que estão na quarta e na nona posição respectivamente da lista da Federação Internacional de Judô (IJF). Todos alcançaram o bloco final. E, no fim das contas, nenhum chegou ao pódio. Rafael, Suelen e Bia acabaram na quinta posição, enquanto David foi o sétimo.

Bronze nas duas últimas Olimpíadas, Rafael Silva foi o brasileiro que chegou mais perto do pódio. Ele estava melhor do que o sul-coreano Kim Min-jong, mas perdeu e ficou em quinto. O atleta se machucou antes do Pan de Lima – uma fratura na mão – ficando fora da competição, e tentou todos os tratamentos possíveis para se recuperar para o Mundial. Ele afirmou que ainda está sem força na mão e ficou feliz por ter disputado o pódio.

Maria Suelen na derrota para Idalys Ortiz, de Cuba — Foto: REUTERS / Issei Kato

Maria Suelen na derrota para Idalys Ortiz, de Cuba — Foto: REUTERS / Issei Kato

As meninas do Brasil também acabaram em quinto. Maria Suelen Altheman encarou a japonesa Sarah Asahina, campeã mundial de 2018, na luta pelo bronze, e levou a pior. Já Beatriz Souza se desdobrou para super um problema no joelho direito, caiu várias vezes no chão, foi muito aplaudida pela torcida, mas não aguentou até o fim e viu a turca Kayra Sayit levar a medalha.

A brasileira saiu chorando muito. O ouro na categoria -78kg ficou com a japonesa Akira Sone, que desbancou ninguém menos que a cubana Idalys Ortiz, bicampeã do mundo e campeã olímpica.

Os caminhos dos brasileiros

Maria Suelen Altheman e Beatriz Souza

Maria Suelen Altheman iniciou contra a fortíssima chinesa Yan Wang. A asiática levou dois shidos, e a brasileira venceu por ippon emplacando um golpe na sequência. Em seguida, foi a vez de Melissa Mojica, e outra vitória por ippon da atleta do Brasil. Nas quartas, veio Iryna Kindzerska, atleta do Azerbaijão e medalhista de bronze do Mundial de Budapeste 2017, que também não foi páreo.

Na semi, encontrou a bicampeã mundial e campeã olímpica Idalys Ortiz, franca favorita, com 16 vitórias em 16 partidas no histórico entre as duas. E foi a 17ª derrota, já que, no Golden Score, a judoca de Cuba atirou a brasileira no tatame e se garantiu na decisão diante da japonesa Akira Sone, empurrando Suelen para a disputa pelo bronze contra ninguém menos que a campeã mundial Sarah Asahina, do Japão. A nipônica fez valer seu favoritismo dentro de casa e saiu vitoriosa, deixando a brasileira em quinto na competição.

– Foi duro perder a medalha de ouro. Preciso melhorar minha técnica para Tóquio 2020. Meus amigos e família vieram hoje torcer para mim. Eles torceram muito, eu estava muito empolgada e feliz por lutar em casa. Não saio completamente satisfeita, mas ao menos saio com o bronze – comentou Sarah Asahina.

Maria Suelen no Mundial de Judô de Tóquio — Foto: Roberto Castro/ rededoesporte.gov.br

Maria Suelen no Mundial de Judô de Tóquio — Foto: Roberto Castro/ rededoesporte.gov.br

Beatriz Souza, por sua vez, começou sua trajetória contra Nina Cutro-Kelly, vencendo em 34 segundos por ippon. Depois, encarou Mercedesz Szigetvari e, em 1min14, nova vitória por ippon. No terceiro confronto, uma adversária de peso, Idalys Ortiz. Após um embate equilibrado, a brasileira foi imobilizada e caiu nas quartas, parando na repescagem, onde encarou Iryna Kindzerska, do Azerbaijão, pelo bronze. Depois de um waza-ari, venceu por ippon.

A briga pelo terceiro lugar foi contra a turca Kayra Sayit. Logo no primeiro lance, ela sentiu o joelho direito e ficou no chão. E essa foi a tônica da luta: a brasileira se desdobrava para seguir adiante, e a torcida aplaudia, até que ela não aguentou e acabou perdendo por ippon, acabando em quinto lugar no Mundial.
Beatriz Souza no Mundial de Judô de Tóquio — Foto: Roberto Castro/ rededoesporte.gov.br

Beatriz Souza no Mundial de Judô de Tóquio — Foto: Roberto Castro/ rededoesporte.gov.br

Rafael Silva e David Moura

Rafael Silva, o Baby, começou contra Harun Sadikovic, da Bósnia e Herzegovina, e venceu por waza-ari. Na sequência, veio Vladut Simionescu, da Romênia. Mais um triunfo. Nas quartas, encontrou o japonês Hisayoshi Harasawa. A luta pela semi foi muito truncada. Enquanto o japonês foi punido com dois shidos, o brasileiro acabou levando três, ou seja, teve a derrota confirmada, seguindo para a repescagem, onde encontrou o holandês Henk Grol.

Depois de levar dois shidos, o atleta da Holanda foi derrubado pelo do Brasil, que venceu e seguiu para a disputa do bronze. O sul-coreano Kim Min-jong mostrava mais volume de luta contra Baby no combate pela medalha, mas o brasileiro era mais perigoso em seus ataques. Baby parecia mais inteiro na luta, que foi à prorrogação, mas foi surpreendido por um contra-golpe e acabou tomando o ippon, saindo sem medalha. Ele, entretanto, ficou feliz por ter chegado tão longe, já que não está 100% após a fratura na mão.

Rafael Silva no Mundial de Judô de Tóquio — Foto: Roberto Castro/ rededoesporte.gov.br

Rafael Silva no Mundial de Judô de Tóquio — Foto: Roberto Castro/ rededoesporte.gov.br

 Mundial de Judô

Local: Nippon Budokan – Tóquio, Japão
Capacidade: 10.000 lugares
Transmissão: finais às 7h no SporTV 3

AGENDA (horários de Brasília)

DIA 8 (01/09)
Equipes mistas
Classificatórias – 1h
Finais – 7h20

(Com informações do Globo Esporte)