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Inserido em: 09/07/2019  15:59:55


Acessibilidade, inclusão e economia



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 *LUIZ FERNANDO AMORIM – 

A minha visão de médico ortopedista, especializado em quadril e joelho, me credencia para falar da importância da “acessibilidade” como qualidade de vida para as pessoas, e como a atenção nessa pauta pode gerar economia para os cofres Públicos.

Quando escutamos a palavra “acessibilidade” é muito comum pensarmos, imediatamente, em PCDs (Pessoas Com Deficiência) como se o termo estivesse ligado somente a esse grupo social, mas “acessibilidade” é muito mais que isso!

Atendo pessoas que se contundiram porque na sua rua não há iluminação pública adequada, e ao chegarem em sua casa, à noite, caíram e se machucaram gravemente, essa é uma realidade do brasil que em muitos lugares falta asfalto e as ruas estão cheias de buracos.  Aliás, quanto custa para a saúde pública o descaso com todos os tipos de acessibilidade possíveis? Os agentes da administração pública estão se guiando pelo princípio da economicidade?

Acessibilidade é um tema pouco difundido, apesar de sua inegável relevância, pois, considerando que ela gera resultados sociais positivos e contribui para o desenvolvimento inclusivo e sustentável, dependendo hoje de mudanças culturais e atitudinais de gestores públicos e da sociedade, que nesse quadro, precisa cobrar da administração esforços para que seja implementada nos espaços comuns.

As decisões governamentais, as políticas públicas e programas são indispensáveis para impulsionar uma nova forma de pensar, de agir, de construir, de comunicar e de utilizar recursos para garantir a realização dos direitos e da cidadania, porém nossa cobrança é fundamental. Como membro da sociedade organizada e cidadãos devemos buscar que essas lacunas sejam preenchidas.

Acessibilidade é um atributo essencial do ambiente que garante a melhoria da qualidade de vida das pessoas e reflete diretamente na economia, principalmente na saúde. Por isso deve estar presente nos espaços públicos ou privados de uso público, no transporte, nos sistemas de comunicação, bem como em outros serviços tanto na cidade como no campo.

Além de toda necessidade geral “acessibilidade” é um instrumento de inclusão para às pessoas que possuem algum tipo de dificuldades de locomoção, seja PCD ou não. Nesse sentido que as vias não podem ser um empecilho ao direito de ir e vir. Trânsito, calçadas, portas e degraus não podem ser fatores de risco ou impeditivos para as pessoas exercerem sua liberdade.

A fim de possibilitar à pessoa com deficiência viver de forma independente e participar plenamente de todos os aspectos da vida, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República trabalha para implementação de medidas apropriadas para assegurar o acesso em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. Essas medidas incluirão a identificação de barreiras à acessibilidade e a disseminação do conceito de desenho universal, temos que escolher políticos na esfera municipal que estejam conectados com essa realidade.

Pois, entendo, que é melhor “prevenir que remediar”. Apesar de ser uma frase de vovó, é a mais pura verdade. Construir cidades inteligentes que protejam seus cidadãos, além de uma necessidade, é um dever do Poder Público e da sociedade organizada, que através do voto deve escolher pessoas que busquem qualidade de vida, e a gentes públicos que visem economia para o Estado.

Por fim, trago o dado alarmante que mais de 50% de pessoas que são atendidas em ortopedia e traumatologia pelo SUS não estariam ali se tivéssemos acessibilidade adequada. Ou seja, esse dado comprova que quando se trata de “acessibilidade”, o poder público ainda não está se guiando pelo princípio da economicidade, e é nosso papel mudar esse quadro seja na esfera federal, estadual e principalmente na municipal.

*LUIZ FERNANDO AMORIM  é médico ortopedista e traumatologista em Cuiabá.

 

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