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Rumo a Cuiabá

*Vivaldo Lopes

No mês em que Cuiabá completa 300 anos, dois importantes fatos comerciais acontecidos na Bolsa de Valores de São Paulo e Brasília podem contribuir de forma expressiva para acelerar o desenvolvimento econômico da cidade. O primeiro foi o leilão da concessão do trecho de 1.537 quilômetros da ferrovia Norte-Sul que liga as cidades de Porto Nacional (TO) a Estrela D’Oeste (SP) e dali ao porto de Santos.

O leilão foi vencido pela empresa Rumo Logística, a maior operadora de ferrovias do país e que já detém as concessões da malha paulista e da ferrovia senador Vicente Vuolo que liga Mato Grosso ao mesmo porto de Santos(SP).

O segundo acontecimento foi o Tribunal de Contas da União ter aprovado a renovação da concessão da ferrovia Vicente Vuolo que venceria em 2028. Era um pleito antigo da atual concessionária, a mesma Rumo, como forma de obter previsibilidade econômica e segurança jurídica para promover os investimentos na modernização da ferrovia e sua expansão até Cuiabá.

Os dois fatos se interligam em favor da economia de Cuiabá e Mato Grosso. A operação do trecho da ferrovia Norte Sul vai garantir à empresa mais sinergia comercial e expansão de negócios, pois vai avançar sobre a nova fronteira agrícola do país, alcunhada de MATOPIBA, que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, ligando também parte dessa região produtora ao porto de Santos.

A escala comercial proporcionará ao grupo empresarial mais tranquilidade e capacidade de alavancagem financeira para planejar os investimentos na construção da ferrovia até Cuiabá e, posteriormente, até Lucas do Rio Verde.

Mas a janela de oportunidade pode se tornar um pesadelo para Cuiabá. Considero de suprema importância estratégica para Cuiabá a construção do trecho da ferrovia de Rondonópolis até a Capital. Caso isso não aconteça imediatamente, a Capital corre o sério risco de ficar isolada logisticamente e perder o bonde do crescimento econômico de Mato Grosso.

Estão bem adiantadas as negociações para implantação de duas ferrovias em território mato-grossense. A Ferrovia de Integração Centro Oeste – FICO, que interligará a Mato Grosso à ferrovia Norte Sul, vindo de Campinorte (GO), passando por Água Boa e chegando a Lucas do Rio Verde. A outra é a chamada Ferrogrão, que ligará Sinop à Miritituba (PA). Nenhuma das duas tem qualquer ligação com Cuiabá.

A primeira vai conduzir a produção para o porto de Itaqui, no Maranhão e a outra levará a produção do médio norte e norte do estado ao porto de Santarém (PA). Haverá, portanto, uma saudável competição comercial entre as concessionárias das ferrovias pelo transporte da produção agropecuária e dos bens industriais que chegam e saem do estado. As que começarem a operar primeiro obterão significativa vantagem competitiva.

Caso a ferrovia Vicente Vuolo continue estacionada em Rondonópolis, Cuiabá ficará completamente ilhada e isolada do complexo logístico ferroviário do estado. Como as ferrovias atuam como pólo de atração de uma vasta cadeia de suprimentos e negócios nas áreas comerciais, industriais, haverá fuga de empresas, talentos e de negócios de Cuiabá para as regiões onde se instalarão os terminais ferroviários, Lucas do Rio Verde, Sinop, Sorriso e Água Boa.

Será a morte econômica da capital. Urge, por conseguinte, uma grande mobilização de toda a sociedade cuiabana para que as licenças ambientais e operacionais do trecho Rondonópolis-Cuiabá sejam aprovadas e liberadas urgentemente para que o grupo empresarial que detém a concessão, agora renovada, traga logo os trilhos.

Caso contrário, ficaremos a ver trens, navios e o progresso passando à nossa frente enquanto nós, passivamente, estaremos apenas “tchupano caju”.

*Vivaldo Lopes é economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia. É pós-graduado em MBA e Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP.  E-mail: vivaldo@uol.com.br

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